Namoro à distância: Tudo bem se não deu certo



Quando eu termino de ler um bom livro, minha primeira reação é querer escrever algo também, algo de valor. Quando vejo um filme, a vontade é de produzir um curta, ou coisa assim. Com casais apaixonados, a reação é parecida. Vejo-os na rua, e tenho uma vontade enorme de amar de novo.

Bem, quando eu penso no amor em minha vida, a primeira pessoa que me vem à mente é o "senhor G". A explicação talvez seja óbvia e clichê: ele foi o primeiro. E além de primeiro amor, ele foi meu primeiro (e único, até agora) namorado. Como as outras pessoas dessa categoria, a gente namorava à distância. E aí começa a parte complicada.

A gente se conheceu de um jeito muito aleatório, através de uma pessoa que eu conhecia muito bem (e vice-versa), e que o conhecia muito pouco (e vice-versa). A gente tinha um interesse em comum, e foi aí que a conversa começou a rolar online. Logo, novos assuntos surgiram e o primeiro assunto foi até deixado de lado. Começamos a nos falar todo dia, por msn, e com o passar dos meses, continuamos nos comunicando cada vez mais, até chegarmos às longas conversas por telefone. Nessa altura do campeonato, o G já era o meu melhor amigo, e eu não sabia se queria que ele fosse só isso. Pra minha não-surpresa, ele sentia o mesmo.
Mas qual era o problema nisso tudo, então?!

A questão era a seguinte. Em 2009, eu ainda não tinha acesso a todos esses recursos modernos que tornam tudo mais acessível e 'próximo', e ninguém ao meu redor além de mim acreditava nesse tipo de relacionamento (e sentimento), à distância, sem contato real e sem convivência constante.
Nos encontramos em novembro desse mesmo ano. Ninguém mudou de ideia sobre essa ideia de relacionamento. E foi então que eu comecei a mudar a minha. Eu vi que muita coisa era verdade, e a gente só poderia prosseguir com a coisa toda se estivesse convivendo junto mais do que apenas por alguns fins de semana. Claro que isso não foi possível, considerando os quase 1000km de distância entre nós, nossas respectivas responsabilidades e também outros tipos de impecilhos.
Então, a coisa começou a desgastar. Entrei num estado de coma sentimental, sem sentir nada que valesse a pena sentir, e eu, que sabia o quanto aquele rapaz era especial, deixei-o ir por medo de vê-lo sofrer ainda mais com minha inércia.

Não preciso dizer que ele ficou bem mal por algum tempo. Ou bastante tempo, talvez. Mas eu também fiquei, o que me confortava um pouco, dentro da minha própria melancolia. Ele não sofria sozinho, pelo menos. Foi algo que eu fiz que não me deixou muito feliz, não. Ao mesmo tempo, senti que foi o certo. Tudo pareceu certo, mesmo estando extremamente triste. Não tente entender essa lógica, porque nem eu entendo.
Mas as coisas foram sendo amenizadas. As famosas feridas viraram as famosas cicatrizes, daquelas que a gente tem orgulho de contar a história, com aquela nostalgia evidente, e uma dor que estranhamente não dói mais.

Muita gente diz que primeiro amor a gente nunca esquece. Eu concordo plenamente com isso, mas não pelo fato de considerar esse primeiro amor como um sentimento imutável e eterno pela pessoa em questão. Pra mim, esse amor foi o laço que inaugurou em mim uma coisa grandiosa: eu soube, a partir do momento em que comecei a amar aquele rapaz, que eu nunca mais iria parar de amar. E amaria de diversas e novas formas. Eu teria amor de amigos verdadeiros, de filhos, sobrinhos, netos... enfim. Amores diferentes, mas ainda sim, amores. Cada dia mais, meu peito aumentaria a coleção desses tais amores.

Hoje em dia, nós nos falamos até que com uma certa frequência, o G e eu. Somos bons amigos novamente, e quando falamos sobre o antigo 'nós', sempre concordamos que, sim, o que a gente teve foi real, nos ensinou um montão de coisas legais e importantes, que a gente vai lembrar sempre. Isso tudo independente do que vier a nos acontecer e do que venhamos a sentir e amar, no futuro.


"Tudo bem se não deu certo,
Eu achei que nós chegamos tão perto"


Paula F.

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