Namoro a distância - Parte I: Quando não dá certo

Foto: WeHeartIt
Em 2009 eu tive meu primeiro namorado. Eu morava em Santos/SP e ele em Blumenau/SC. Foi um ano assim, com todos contra, muita gente não considerando um namoro de verdade, até que, por vários motivos, não deu certo.
Na época eu prometi para mim mesma que nunca mais iria entrar em uma situação assim. O fato é que, há 5 anos atrás, a velocidade da informação era até rápida, mas não como hoje. As pessoas compartilhavam menos as suas vidas e muita coisa ainda era anormal e não-aceitas completamente pela sociedade.
Felizmente essa realidade mudou. Metade dos meus amigos que namoram, mantém um relacionamento a distância. Muitos deles se casaram e são felizes. Na segunda parte desse post essas histórias serão contadas, inclusive a minha história de amor, que se Deus assim quiser, vai dar casamento em breve! 

Muitas dessas relações podem não dar certo, mas deixam lembranças gostosas e nos ajudam muito a amadurecer e entender as coisas da vida. Foi pensando assim que perguntei no Facebook quem tinha uma história para compartilhar e, para minha surpresa, tive muitas respostas. Histórias de amor que deram em casamento, outras que hoje são apenas boas lembranças, mas todas cheias de paixão em cada palavra que eu lia.
Com vocês, duas das histórias... de vocês:

Mariana. Goiânia-GO


"A gente se conheceu na aula de natação e depois nos encontramos na igreja e começamos a ser amigos. Começamos a namorar no dia dos namorados, depois de meses de amizade. Eu estava no segundo ano e ele no terceiro do ensino médio.
Ele decidiu fazer medicina, e desde o meio do ano ele começou a passar na Unesp, UFU, e em outras faculdades fora de Goiás... Aí eu comecei a perceber q existia a possibilidade de ele se mudar para onde passasse.
No dia do resultado da UFG, o choque: ele não passou. Nós dois quase morremos! Não faziam nem 6 meses que a gente namorava e esse baque! Dias depois ele passou em Brasília, São Paulo e em Uberlândia. Por fim, decidiu por Brasília e nossa luta começou!
Eu chorava todo dia. A gente se falava o tempo todo por mensagem e ele vinha todos os finais de semana de ônibus. Era tanto assunto, tanta saudade que o final de semana era pequeno.
Domingo a tarde era sempre a pior hora! Ele me pedia pra ajudar a arrumar a mala dele... Meu coração despedaçava. Era assim todo final de semana.... Até que ele passou a ter que ficar alguns finais de semana lá. Ai já eram 15, 30 dias sem nos vermos. Só no celular, skype e telefone. Já passei aniversário sem ele, ele já passou o dele sozinho, passamos aniversários de namoro longes um do outro.
Mesmo depois de 4 anos de namoro eu não podia viajar para lá, e chegando a residência e os plantões, ele vinha cada vez menos para Goiânia e tinha cada vez menos tempo de conversar ao telefone. Em todos os 5 anos a distância nunca foi problema, pois tínhamos aprendido a namorar assim. Mas infelizmente outros motivos apareceram, tudo virava problema e desgastava o namoro… Então terminamos.
Eu posso dizer que aprendi muito com esse relacionamento a distância. Amadureci e hoje eu vejo o quanto eu podia ter sido e feito melhor lá atrás. Não me arrependo de nenhum segundo! Porque, se comparado ao amor que era e a felicidade de quando a gente estava junto, esse "sofrimentozinho" não era nada! E eu fui MUITO feliz! E dou a maior força para quem está passando por isso!"


Géssica*. Santos-SP

"Por volta de 2000, ganhei um computar com um Cd da “Aol”. Aqui em casa apenas eu interagia com essa deliciosa tecnologia chamada internet. Caí nas graças das salas de bate papo quando conheci o Renato*, um fofuxo carioca de fala arrastada, inteligente, carinhoso e muito divertido. Gastávamos a madrugada teclando, a coisa ficou séria e investimos nossos salários em ligações telefônicas (R$350 a R$700) para matar a saudade. O sorriso bobo nos lábios que eu somente percebia quando a boca já estava, por demais, dolorida e os suspiros longos com toda a magia daquela voz era algo muito novo pra mim. Falávamos todos os dias por 2 a 3 horas, com direito a despedidas longas e mesmo assim ficávamos malucos que desse meia noite a fim de trocar mais palavras de carinhos, compartilhar sonhos e muitas promessas! 
Era uma felicidade que não cabia em mim e uma dor ao mesmo tempo a cada despedida por telefone. Choros. A saudade agora doía. As cartas entraram em nossas vidas, a cada linha o amor crescia loucamente. Jamais aguardei tão ansiosa pelos gritos do carteiro “Ó o carteiiiiiiro!” E então o Renato se declarou e vi que também o amava. Marcamos de nos encontrarmos no Rio de Janeiro, na casa dos pais dele em Bangú (minha sogra torcia muito pela gente) e o desejo de não sair de perto um do outro cresceu demais.
Queríamos “o para sempre” e aí desandou tudo, minha família não aceitou nosso namoro e rolou o preconceito “todo carioca é bandido”. Mudamos de estratégia e ele ficou de ser padrinho comigo no casamento da minha sobrinha. Como pouca infelicidade é bobagem, o Renato* teve uma emergência no trabalho e perdeu o vôo. Isso foi a gota d’água para minha família. Surgiram os desentendimentos e começamos a brigar muito. Não sabíamos dizer o porquê a relação ficou intolerante, as cartas carinhosas, por minha parte, foi rareando e nas ligações ficávamos mudos. Após seis meses minha sobrinha descobriu a verdade e me contou: minha família interceptou as cartas, ligações e até a internet. Não queriam que eu fosse pra longe com um desconhecido. E eu achava que ele não me queria. Do outro lado ele pensava que estava de ‘chiliquinho paulista’ porque ele não chegou a tempo do casamento! Tomei a decisão de partir e aí surgiu uma ‘ex’ que o consolou de todo sofrimento que ‘eu havia causado’ sem saber. Não parti. Continuei sendo tola. Tive vontade de ir contra todos aqui e correr para os braços dele. Sofri demais.
Um dia desses se reencontramos, contei o que aconteceu. Rimos dessa proteção exagerada. Ele não acreditou que passei por tudo sozinha apenas para poupá-lo de mais sofrimento e vê-lo feliz. Mostrou arrependimento por ter iniciado um outro relacionamento. Prometemos juntar as famílias. Então o Renato chorou e eu também".

*Os nomes reais foram substituídos por nomes fictícios, a fim de preservar a identidade da leitora.


Essas foram duas das muitas histórias que recebi. Vou dividir esse assunto em várias partes, talvez até haja necessidade de abrir uma nova categoria.
Se você também tem uma história de relacionamento à distância, tenha dado certo ou não, mande para leticiasally@gmail.com. Quem sabe sua história aparece por aqui e ajude outros leitores que estão passando pela mesma situação que você?

4 comentários

  1. Muito bacana ver as experiências.. já namorei 10 meses a distância que era bom até, mas terminamos pois ele foi morar longe!

    www.chadecalmila.com

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  2. Estou encantada com esse tema e por favor, que vire categoria! :D Essas histórias foram tristes, mas também merecem ser contadas. Pra que as pessoas saibam que merecem ser vividas né? Por mais que o final não tenha sido "felizes para sempre" elas ensinaram algo bom e fizeram jus ao "que seja eterno enquanto dure". Adorei a iniciativa Sally!

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  3. Namoro a distancia realmente não é fácil, tem que ter muitos sentimentos envolvidos (além do amor) pra dar certo.

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  4. Nossa, cara! Que história triste essa segunda! Que dó

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