Tranque a porta depois de sair (parte II)


De boas intenções o mundo está cheio.
De palavras que machucam (principalmente as não ditas), também.
Fico pensando nisso e me canso. Me canso, inclusive, da intensidade que mora dentro de mim.
Quantas vezes você já saiu por essa porta dizendo que seria pela última vez?
Perdi as contas. Perdi, também, o costume de trancar minhas portas e janelas. Inconscientemente eu esperava você voltar.
Hoje, o que espero é que você volte sim, mas para buscar teus vestígios daqui. Aproveite e leve embora suas boas intenções. Elas só ocupam o espaço de coisas que poderiam ser de verdade.
Mas quando sair, meu bem, aproveite e devolva os meus sonhos.
Porque o que mais doía não era ver você ir embora, era ver você me levando também. Aos poucos. Pedaço por pedaço.
Eu nunca reclamei, mas agora só me restam fragmentos de mim.
Então me devolva, depois saia porque quem vai fechar a porta desta vez sou eu, meu bem.

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