Adeus, meu bem.


Foi num domingo de Junho, chuvoso e cinza.
Aconteceu tão rápido, mas me lembro de tudo em câmera lenta. A estrada, o asfalto molhado, a neblina e uma música do Marcelo Camelo tocando baixinho no som do carro.
Eu estava pensando no que te falar quando chegasse. Estava feliz, tinha planejado um mundo de coisas a noite inteira e fiquei repassando na mente enquanto ouvia "Três dias".
Seria melhor te avisar que eu estava a caminho? Eu queria chegar de surpresa, eu queria que você soubesse que eu estava indo sonhar os teus sonhos.
Foi bem na parte da música que diz "desaparecer no vento e acordar num outro instante". Eu não sei o que aconteceu, mas eu sabia que não conseguiria desviar o carro daquele caminhão. Ele apareceu do nada e desse nada aconteceu tudo.
Eu estava feliz, mas você não estava. Eu planejei coisas que não passariam jamais pela sua cabeça. Eu quis sonhar sonhos que você já não sonhava mais. Agora é tarde demais. Pra nós dois.
Ouço vozes ao longe e até um chorinho baixo e amargo. Ouço pessoas entrando e saindo de um lugar que eu não sei onde é.
Sinto uma dor muito grande, estão me rasgando em duas partes. Tento abrir os olhos e vejo que não tenho controle de nada. Esse sentimento me é familiar. Eu nunca tive o controle de nada. Agora eu não consigo fazer nem o meu próprio corpo reagir a sua voz.
O que você está dizendo? Eu não consigo entender!
Eu só queria te ver uma última vez e não vou conseguir nem te dizer, mas adeus meu bem. Adeus.

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