Quem sabe?



Você sabe. Eu sei. E ainda sim, não sabemos.
Conversamos sobre nós sem falar sobre nós. Falamos sobre sentimentos sem pronunciar uma palavra sobre eles. Falamos, falamos e falamos, sem falar absolutamente nada, mas significando tudo.
Sorrimos um para o outro, sem bocas e dentes, apenas com os olhos. Sonhamos um com o outro sem ao menos nos deitarmos.
E mesmo assim, não sabemos. E eu nem me importo. Nem você.
Isso é porque não queremos mais telefonemas longos, cheios de diálogos e "desliga você primeiro". Não queremos ser o ar nesse pote vazio, nem eu e nem você.
Nós não queremos longos passeios sem caminhos realmente andados, não queremos sonhos em madrugadas frias que nos acordam e nos fazem perceber que o cobertor caiu (mas não foi porque alguém puxou). Nós não queremos presentes em datas comemorativas, não queremos tomar milkshake no mesmo copo, não queremos nem um pingo de simbologias.
A gente quer entrelinhas, a gente quer o silêncio, a gente quer o que a gente tem, porque só a gente tem.
Pode até ser contraditório dizer que não sabemos, mas no final, quem realmente sabe?
Eu só sei que não me importo. Nem você.
Só sei que meus sorrisos entendem os seus, que seus olhos enxergam os meus e que o seu silêncio conversa com o meu.

Um comentário

  1. Nossa uma das coisas mais reais, expressada em um texto nunca visto, nem em outros termos!
    Parabéns!!!

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