Detalhes


Cabelos vermelhos, pele clara e olhar expressivo.
Ela, sob a luz fraca do computador, pára e tenta colocar em ordem os pensamentos perdidos na mente.

"Quem sou Eu?" se pergunta.
Há um tempo atrás não saberia responder, mas agora, aos vinte anos, sabe bem.
Temperamento forte? Sim. Porém dócil, amável e compreensiva.
Ela toca violino há seis anos, e há dois fez de um sonho uma realdidade: entrou na universidade e cursa Jornalismo.
Nasceu em março e talvez seja porque nasceu nessa época, que tenha tamanha admiração pelo outono.
Onde mora? Bom, ela prefere deixar essa curiosidade no ar.
"Isso faz diferença?" pensa em voz alta.
Talvez, o que realmente importa não seja o superficial.
São os detalhes que chamam a atenção.

Ah os detalhes!
Detalhes como um fim de tarde frio, sentada na varanda sob a luz amarelada de mais um pôr-do-sol e com uma caneca de chocolate quente entre as mãos.
Parecia só mais um fim de tarde. Mas não foi só isso.

Ela olha para frente, e lá está ele.
Estava longe ainda, mas seus cabelos castanho-claro caídos no rosto e seus olhos verde-esmeralda não a confundem.
Com as mãos no bolso da calça jeans desbotada, ele vinha se aproximando, enquanto o coração dela batia tão forte, que ela imaginou ser possível ouvir de onde ele estava.
Ela se levantou, colocou a caneca em cima da mesa na varanda, e foi ao encontro dele como um perdido no deserto avista um oásis. Era assim que se sentia.
O sorriso dele a fez esquecer de tudo que estava matando ela por dentro. E naquele momento mais nada importava.
"Me perdoa?" disse ela.
Ele nem precisou responder. Aquele abraço disse muito mais que mil palavras.
"Eu não quis ser tão idiota. Só estava com medo de me magoar, mas agora eu sei que eu preciso de você mais do que ar que eu estou respirando." ela sussurou.
"Eu te amo" ele disse, olhando ela nos olhos.

Era tudo que ela precisava ouvir.
Afinal, sua vida estava começando naquele exato momento.

Um comentário

  1. Um chocolate quente sempre nos faz pensar.
    Dia de outono, então! As folhas caem e nos fazem filosofar, se não voluntariamente, por acaso.

    Ansiedade pra ler o próximo post!

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